Para o brasileiro, visual do carro é a qualidade mais importante

Alguns motoristas gostam de exibir os veículos que dirigem, mas se esquecem de cuidar da própria imagem

 

Há apenas 30 Polo GTI (identificado por ser 2p) no Brasil. Ao lado dele uma réplica do Golf Harlekin europeu (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

 

 

Brasileiro é vaidoso. Gosta de exibir seu carro seja novo ou usado bem conservado, equipado ou original e, de preferência, sempre brilhando de limpo.

 

Estudos das fábricas mostram que a simbologia dos veículos tem peso determinante na decisão de compra dos brasileiros.

 

Até aí, tudo bem. Somos brasileiros. O que me intriga é o fato de um povo tão preocupado com a imagem ser tão descuidado quando está ao volante.

 

Nem sempre é fácil negociar espaço nas ruas (Divulgação/Quatro Rodas)

 

 

Obviamente não estou falando de toda a população. Mas me refiro a muitos que cometem infrações como ultrapassar pelo acostamento, por exemplo, sem medo de parecer sem educação e desrespeitoso para com os demais.

 

E aqueles incapazes de uma gentileza. Que não cedem passagem quando outro sinaliza a intenção de fazer uma manobra.

 

Ao contrário, aceleram para não deixar espaço.

 

Falo também dos que atiram lixo nas ruas. Não adianta ter um carro bonito e se comportar assim.

 

Nem todos procuram vagas que não sejam reservadas (Acervo/Quatro Rodas)

 

Há os que não sabem conviver socialmente, fecham cruzamentos, invadem faixas de pedestres, estacionam em vagas reservadas para deficientes e idosos. Que vergonha.

 

Alguns instalam reboques na traseira sem ter sequer uma carretinha para rebocar.

 

O argumento de quem instala o reboque sem ter o que rebocar é a proteção contra aquelas encostadas que às vezes ocorrem nas manobras de estacionamento. Pura ignorância.

 

Para-choques foram feitos para isso: absorver pequenos impactos. É o reboque que danifica os para-choques alheios – e machuca as pernas dos pedestres desavisados.

 

 

Reboque não é protetor de para-choque (Divulgação/Mercedes-Benz)

 

 

Há momentos em que a gente não sabe se o motorista é mal-educado ou desconhece o carro que dirige.

 

É o caso daqueles que acionam as luzes de neblina traseiras sem necessidade.

Quero crer que a pessoa acende essa luz sem saber o que faz.

 

Porque essa luz é bem mais forte que a luz regular e agride os olhos do motorista que vem atrás, quando usada sem uma condição que a justifique.

 

Se o objetivo for chamar a atenção, acionar a luz de neblina pode ter efeito contrário, uma vez que essa luz pode cegar momentaneamente os outros.

 

Na Alemanha, país que tem cultura automobilística maior e mais antiga que a nossa, ligar as luzes de neblina sem necessidade é motivo de multa e apreensão do veículo.

 

No Brasil, não. Mas, o motorista que anda com essa luz acessa só porque anoiteceu passa recibo de individualista, de alguém que não respeita o próximo ou, na melhor das hipóteses, não sabe utilizar o equipamento que tem.

 

O perfil de motorista descuidado da própria imagem não poupa ninguém: jovem, idoso, homem, mulher, motorista de carro popular, de carro de luxo importado, profissionais, amadores. E o trânsito é só uma faceta da sociedade.

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